O Fim

O Fim

Finalmente havia chegado o dia.

Depois de aproximadamente um ano e meio tocando violino, fui basicamente obrigado pelo meu professor a tocar em um auditório pela primeira vez, pois isso seria importante para o meu desenvolvimento. Doze violinistas iniciantes, que poderiam levar quantas pessoas quisessem – embora a expectativa fosse que cada um levasse de duas a quatro pessoas.

Um deles levou trinta.

A semana que antecedeu o concerto foi de muito estresse: bastante pressão no trabalho, mudanças na vida pessoal e de duas a três horas durante a noite praticando para não errar muito durante a apresentação.

Minha meta? Apenas conseguir tocar as músicas até o final. Independente de quantas vezes errasse, precisava terminar.

O fato de ser a primeira vez me assustava. O fato de ter mais de 100 pessoas no auditório me assustou muito mais e embora eu estivesse indo bem nos ensaios, a regra ainda se aplica: “treino é treino, jogo é jogo”.

Mesmo que minhas mãos tenham começado a tremer desde a manhã daquele dia (o que já havia acontecido outras vezes em momentos de tensão), o problema real foi durante a apresentação – quando suspeitei que estava a ponto de ter um ataque nervoso: mãos, braços, pernas e até o tórax tremiam.

Fizemos a apresentação em grupo e apesar de eu ter errado em muitos momentos por esquecer algumas notas, meus colegas conseguiram sustentar bem e tudo ficou muito bonito. O desafio estava nas músicas solo, as quais, por alguma falta de estratégia, treinei muito menos que as em grupo.

Seria mais fácil se eu apenas pegasse o microfone e começasse a falar qualquer coisa; falar em público não é um problema para mim. Até cogitei a ideia de que improvisar algumas piadas seria melhor do que o que estaria por vir.

Boca seca, tremedeira, vários erros. Parei no meio porque as notas simplesmente não vinham à minha cabeça. Respirei. Fechei os olhos. Voltei a tocar algumas notas antes de onde eu estava e prossegui até o fim.

Minha primeira apresentação de violino em um auditório

O fim veio seguido de aplausos de incentivo. Toquei muito pior do que o nível que eu apresentava no treino e isso me decepcionou, mas a verdade foi apenas uma: minha meta havia sido alcançada.

Apesar dessa batalha ter sido ganha, a maior vitória veio nos dias que se seguiram: como sempre gosto de refletir sobre as coisas que acontecem na minha vida, decidi levar algum aprendizado desse momento de estresse com o violino para a turbulência que eu estava passando em minha vida pessoal e profissional. Alguns pontos de reflexão:

  1. Situações novas sempre vêm envoltas de muito medo. O desconhecido sempre nos traz incômodo e insegurança, mas não quer dizer que será ruim;
  2. Mesmo com muitas falhas, consegui atingir a minha meta (tocar as músicas até seu final). Às vezes a situação ideal não irá acontecer, mas mesmo assim pode-se chegar ao que se almeja.
  3. Mesmo que o caminho a ser trilhado esteja claro, ele muitas vezes pode nos apavorar. Não devemos deixar o medo controlar a situação.
  4. Para momentos difíceis, respirar fundo pode ajudar bastante.

Na semana posterior à apresentação essa reflexão me levou a executar algumas decisões que eu já havia tomado, mas não havia feito por medo:

  1. Comecei um curso de produtividade com um dos melhores coaches do Brasil;
  2. Solicitei meu desligamento de um trabalho que já fez sentido para mim em algum momento da minha vida e agregou muito em meus conhecimentos, mas que não era mais compatível com meu momento atual e com a minha visão de futuro;
  3. Abracei a ideia de que sim, sou um empreendedor, e por mais difícil que esse caminho seja, fugir disso e negar esse meu lado só me deixa desmotivado e infeliz.

Por fim, gostaria de compartilhar esse texto como maneira de motivar quem, assim como eu, sabe que rumo deve tomar, mas que o medo está bloqueando. E que, apesar de o título do artigo propositalmente se chamar “O Fim”, contei aqui apenas inícios: meu início em outro nível como violinista e meu nascimento como empreendedor.

E quanto a vocês? Quando foi a última vez que fizeram algo pela primeira vez? Como isso ajuda (ou ajudou) vocês a se aproximarem da sua visão de futuro?